Meus avós sempre tiveram papel fundamental na minha criação. Nasci quase nos anos 2000, sou da Geração Z, frequentemente conectada ao universo digital e antenada à agilidade do dia a dia. Mas, estar com eles sempre foi aquele momento sagrado, onde convivíamos juntos e trocávamos experiências.
Recentemente, alguns estudos europeus revelaram que aqueles que cuidam de seus netos, tendem a apresentar uma memória e agilidade mental melhores, com o passar do tempo.
Tanto na vida real, como na ficção, vemos pessoas do grupo da terceira idade com alguns problemas de memória, como o Alzheimer. No entanto, essa pesquisa sobre as gerações pode dar o primeiro passo para entendermos como essa ligação dos avós e seus netos pode ser ainda mais importante.
Na teledramaturgia, diversas "vovós" fofas são lembradas até hoje com muito carinho. Dentre elas, podemos destacar a dona Iná, interpretada pela saudosa atriz Nicette Bruno em "A Vida da Gente".
A atriz, falecida há seis anos em decorrência de Covid-19, era avó de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano). Tinha um comportamento amoroso e muito dedicado.
Outra figura que desperta muita nostalgia é a de Dona Benta, também vivida pela mesma atriz, desta vez em "O Sítio do Picapau Amarelo".
A revista científica Psychology and Aging publicou alguns resultados a respeito desse estudo, evidenciando que as avós até apresentaram demora na diminuição da capacidade mental, com o passar dos anos.
Essa pesquisa surgiu de uma dúvida simples: será que realmente manter contato direto com os netos, poderia trazer benefícios para a mente mais velha? A partir desse momento, ela teve como líder Flavia Chereches, da Universidade de Tilburg, na Holanda, além de uma equipe composta por outros especialistas:
"Muitos avós cuidam regularmente de seus netos: um cuidado que beneficia as famílias e a sociedade de forma mais ampla", contou a pesquisadora Flavia.
Dessa forma, os estudiosos decidiram investigar se realmente o tipo de tarefa realizada entre os avós e seus netos também causariam impacto direto na memória, até mesmo ampliando a capacidade de comunicação dessa geração.
Na pesquisa, mais de 2.800 avós, com mais de 50 anos, foram incluídos. Eles tinham que responder algumas perguntas, além de testar a linguagem e a memória em momentos distintos, no período de 2016 a 2022.
Nela, foram avaliadas a frequência e as atividades que esse grupo desempenhava com seus netos: "Apenas o ato de cuidar, e não o número específico de horas dedicadas aos cuidados, foi relevante para a saúde cognitiva neste estudo", revelou.
Sendo assim, o grupo que participou de forma mais ativa em tarefas escolares com seus parentes, tiveram resultado significativo no estudo. Além disso, ele também revelou que as avós que cuidavam mais, tiveram resultados melhores.
Outro detalhe importante diz respeito ao ambiente e como aquele cuidado influencia, tendo ou não o apoio da família. Para complementar, a Drª. Carolina Díaz, geriatra e especialista em gerontologia, corroborou com sua visão a respeito deste estudo:
"Ele reforça a ideia de que o envelhecimento saudável depende não apenas de preencher o tempo, mas também da qualidade e do significado de cada atividade", explicou a médica ao Infobae.
Aqui no Brasil, o Dia dos Avós é comemorado no dia 26 de julho. Então, é de suma importância que os seres humanos valorizem, cada vez mais, o contato com esses entes queridos, já que a convivência traz benefícios extremamente importantes na saúde mental, para ambas as partes.